Sombra: O Lado Negro da Morte
Ξ fevereiro 14th, 2009 | → 0 Comments | ∇ |
Começo: Você está numa bela festa e se sente muito bem. Você nem mesmo pensou em álcool. Está sentado no sofá e percebe que alguém deixou uma garrafa inteira de um uísque caríssimo na sua frente. Ao lado da garrafa, um copo com cubos de gelo insinua-se, convidativo. As suas mãos começam a tremer…
Meio: …e você pega o copo. Em seguida, alguém lhe oferece um espelho cheio de carreirinhas de cocaína. Você o aceita também. Outra pessoa chega com um controle remoto e o enfia em sua mão. Você tenta experimentar tudo. Alguém está lhe dando comida na boca…
Fim: …e você percebe que é o único fazendo tudo. Que está bebendo e cheirando e assistindo tevê e comendo… sozinho. Todas as pessoas da festa já saíram há muito tempo. A sua Sombra aparece à sua frente com uma seringa na mão e diz: “Vamos… é hora de botar pra ferver…”
Existe dentro de cada um de nós um lado negro perverso e doentio no qual a única coisa que o segura é a nossa razão. Mas ele está lá, firme e paciente, só esperando que você vacile um minuto para ele atacar-lhe com um terrível pesadelo. Para nós, os vivos, tal besta pode ser contida, segurada, amarrada – seja com o próprio autocontrole, ou seja com ajuda de médicos e psiquiatras. Mas ela sempre estará lá, paciente e esperando.
Quando morremos e deixamos a carne nos transformamos em pura essência espiritual formada apenas de sentimentos, é nessa hora que o nosso lado negro se separa e toma forma e consciência própria. Ele se torna a nossa Sombra.
Na morte, não existe nenhum lugar onde seja possível esconder-se do lado sombrio da alma. Tudo que for temido, odiado, reprimido e negado, adquire uma consciência própria no Mundo Inferior. Essa consciência, chamada Sombra, é o veneno da existência das Almas Inquietas. Thanatos, a pulsão da morte, a sedução do Limbo, forma o lado negro do sangue da vida. Bondade, esperança, poder, força de vontade – tudo isso tomba diante da Sombra.
Fracasso: Você tira a seringa da mão da Sombra e a enfia no seu braço. Sente o fogo branco dançar através de você – sente-se invencível. Sua Sombra aponta para uma janela e sussurra em seu ouvido: “Vôe”. Você corre para a janela, jogando-se por ela. Começa a cair para sempre na Escuridão.
A Sombra nem sempre rege uma Aparição, mas forma uma parte intrínseca de seu ser. Ela não é uma criatura enlouquecida, mas uma força malévola e sutil. A Sombra é o âmago do subconsciente de uma Aparição. Como tal, tem acesso a todos os poderes, memórias e associações de seu hospedeiro. É o inimigo mais terrível que uma Aparição pode ter.
Falha Crítica: A Sombra enfia a agulha no seu coração, injetando o fogo branco direto no seu sangue, e você grita de dor enquanto ela queima sobre você. A Sombra enfia outra, outra, e mais outra. Você descobre que era isso que queria, sentir o fogo branco queimá-lo por dentro. Você cai, e a última coisa que lembra é do sorriso malévolo de sua Sombra…
A Sombra fará intrigas e tecerá planos. Sussurrará e atormentará. E, sob certas circunstancias, assumirá vida própria, tornando-se um demônio cuja a única motivação é a sua própria destruição para livrar-se de sua dor. O objetivo final da Sombra é forçar seu hospedeiro a aceitar o Limbo.
Sucesso: Você tira a seringa da mão da Sombra e a joga para o outro lado da sala. Levantando-se, deixa cair todas as outras porcarias e foge para a porta. Ao correr pela porta aberta e começar a ascender na direção da luz, ouve a sombra dizer: “Você ainda vai voltar…”
[Texto extraído e alterado do livro Wraith: the Oblivion – Mark Rein-Hagen; 1994, White Wolf Publisinhg]